Marcio Sostizzo compartilha sua experiência na implementação do Lean e faz uma reflexão comparando os princípios Lean entre segmentos de Logística e Manufatura.
Algumas pessoas veem o armazém ou centro de distribuição com uma visão simplista de que se trata apenas de um lugar onde caixas se movem e chegam ao cliente.
Posso dizer que é um pouco mais complicado do que isso, mas resumindo, listaria algumas características: capacidade e qualidade do fornecedor, transporte, fluxos internos, variação de produto e embalagem, capacidade do revendedor, necessidades do cliente – bom preço, qualidade e a peça entregue o mais rápido possível.
Quando se fala em Lean, a área de Pós venda da indústria automotiva não recebe a mesma atenção que a Manufatura. Considerando toda a cadeia de abastecimento, os centros de distribuição foram esquecidos por muitos anos e ainda existem alguns casos, em que este negócio não recebe muita atenção.
Com o foco na jornada Lean em Logística, surge uma pergunta: é diferente implementar o pensamento Lean em um armazém se comparado com uma planta de manufatura?
A resposta é não. Não há diferença entre esses segmentos da indústria quando o assunto é a implementação do Lean. A jornada em centros de distribuição enfrenta os mesmos obstáculos que qualquer outra empresa ao aplicar a filosofia. No início é normal a falta de conhecimento e compreensão, o tempo de gestão insuficiente para apoiar o Lean por não perceberem os seus benefícios, subestimar as atitudes dos funcionários em relação à mudança e assim por diante. Podemos listar mais de cem tópicos que mostram como é difícil iniciar uma Jornada Lean independentemente do negócio.
Apesar das particularidades, gostaria de compartilhar minha jornada Lean em centros de distribuição. A estratégia de implementação iniciou-se treinando toda a liderança, revisando o design da organização, construindo uma cultura diária de resolução de problemas e gemba para aumentar a consciência dos funcionários sobre o que o lean representa, e trabalhar na cultura de melhoria contínua.
Eu destacaria o início da jornada em 6 pontos principais:
- Liderança: Desenvolver e suportar o conhecimento em Lean para aumentar o compromisso de apoiar a mudança
- Desenho da organização: analisar e redimensionar o tamanho da equipe, além das funções de apoio ao time.
- Resolução de problemas: análise de causa raiz diária com participação dos funcionários.
- Programa 5S: identificar o impacto na segurança, qualidade, melhorias e construir a base para um trabalho padronizado.
- Trabalho Padronizado: construir os SOP’s (padrão de procedimentos) e melhorar os processos
- Kaizens: identificar os desperdícios, envolver e capacitar os colaboradores.
É um desafio, como sempre, com vitórias e frustrações, bons casos implantados, alguns erros, discussões, mas posso resumir as melhores iniciativas em duas palavras: liderança e comprometimento.
Parece um pouco clichê, mas liderança faz toda a diferença. Independentemente da aplicação, seja na Manufatura ou Logística, quando os líderes se comprometem em aprender, ensinar seus associados na filosofia Lean e também se responsabilizar pelo sucesso do Lean, a jornada se torna muito mais fácil e frutífera.
É gratificante ter uma conversa sobre Lean com meus parceiros e colegas. Discutir o fluxo, a qualidade e a resolução de problemas, o reconhecimento dos funcionários e as melhorias de processos. Todos nós sabemos que o sucesso da implementação do Lean é por meio do desenvolvimento da organização e isso não acontece da noite para o dia.
Luciana D’Assumpcao mencionou em um dos blogs que existem alguns pré-requisitos para uma organização ter sucesso na jornada Lean, e para nós o texto é uma afirmação de que estamos no caminho certo, estamos trabalhando com o desenvolvimento e capacitação das pessoas e construindo uma visão ponta a ponta de toda a cadeia de processos e da organização.
Vejo um grande progresso nos resultados das operações, bom ritmo na implementação de ferramentas e métodos e uma motivação impressionante de todos os funcionários, mas não podemos relaxar pensando que já dominamos o Lean. Por isso, colocamos ainda mais foco na mudança, idealizando o comportamento desejado, aprendendo com nossos erros e desafiando nosso pensamento. Fazemos isso para construir a cultura que queremos: A Cultura Lean!
Bem, este texto é um breve relato de minha experiência com o Lean e a sua aplicação em Logística, e é sempre um prazer poder conversar sobre a metodologia.
Aproveite a jornada! Até a próxima!
Marcio Sostizzo
Engenheiro por formação, trabalha há mais de 15 anos como coach, assessor e facilitador em Lean nos segmentos de Manufatura, Concessionários e Logística.